Combustíveis em Alta em 2026: Como blindar a gestão de Postos e TRRs contra a volatilidade do mercado
O início de 2026 confirmou a tendência de alta nos combustíveis, com o Etanol e a Gasolina pressionando margens de Norte a Sul. Veja como dados recentes impactam o setor e descubra estratégias de gestão para proteger seu caixa neste cenário de incerteza.
- Any Gabriely Oliveira
- 6 minutos
O ano de 2026 começou desafiando a resiliência dos gestores do setor de combustíveis no Brasil. Dados consolidados de janeiro e da primeira quinzena de fevereiro mostram um cenário de alta nos preços da gasolina, etanol e diesel, impulsionado por uma combinação delicada: retorno da pressão tributária (ICMS), entressafra da cana-de-açúcar e variações logísticas regionais.
Segundo levantamentos da ValeCard e do Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL), a volatilidade não está apenas no preço da refinaria. Ela varia drasticamente entre estados e regiões.
Para TRRs, Distribuidoras e Redes de Postos, isso significa uma mudança urgente na estratégia de precificação, compras e gestão de estoque.
Neste artigo, analisamos o cenário e mostramos como uma gestão integrada pode proteger margens em um mercado volátil.
Alta nos Combustíveis em 2026: Entenda o Cenário Atual
A pressão sobre os preços já é realidade em todo o país.
Gasolina sobe acima da média nacional
A gasolina fechou janeiro com alta média de 1,63%, mantendo tendência de crescimento na primeira quinzena de fevereiro. O Nordeste e o Sul lideraram os aumentos, com destaque para o Rio Grande do Norte, onde a alta superou 6%.
Etanol é o principal vilão da inflação do setor
O etanol registrou aumento de 3,46% em janeiro, com novos reajustes em fevereiro. A entressafra reduziu a oferta e pressionou os preços, tornando o biocombustível economicamente vantajoso em apenas três estados (AP, MS e MT).
Diesel S-10 apresenta comportamento regional desigual
Embora tenha registrado leve queda média nacional (-0,16%), o Diesel continua impactando operações logísticas em regiões específicas. Sul apresentou recuo, mas Nordeste e Norte ainda sofrem aumentos.
Segundo Renato Mascarenhas, diretor da Edenred Mobilidade, “custos logísticos e dinâmicas regionais limitam o repasse das reduções ao consumidor”.
Isso reforça um ponto central: a margem não depende apenas do preço de compra, mas da gestão operacional.
Impacto da Volatilidade na Gestão de Postos e TRRs
A disparidade regional cria desafios complexos para quem atua no setor.
Gestão de Compras: Timing virou estratégia
Com aumentos de quase 13% no etanol em alguns estados, o momento da compra passou a definir a margem.
Empresas que:
- não acompanham variação regional em tempo real,
- não comparam múltiplos fornecedores,
- não controlam margem por produto e cliente,
correm risco de comprar acima do preço de venda do concorrente.
Logística e Custo do Produto Vendido (CPV)
Para TRRs que atendem diferentes regiões, o diesel impacta diretamente o CPV (Custo do Produto Vendido).
Rotas mal planejadas, aumento no consumo por placa ou falhas no controle de frete podem corroer o lucro silenciosamente.
Como Proteger a Margem em um Mercado de Combustíveis Volátil
Em um mercado de combustíveis marcado por altas frequentes e instabilidade regional, proteger a margem deixou de ser apenas uma questão comercial e passou a ser uma questão de controle operacional. O diferencial competitivo está na capacidade de integrar informações e transformar dados em decisões rápidas.
Uma gestão integrada permite visualizar a margem por cliente e por produto, atualizar preços com base no custo real de aquisição, monitorar o estoque em tempo real, controlar o consumo e a rentabilidade por rota e conectar vendas, financeiro e logística em um único fluxo de informação.
Quando cada área trabalha de forma isolada, a volatilidade se transforma em prejuízo silencioso; quando operam de maneira integrada, o mesmo cenário se converte em oportunidade estratégica, com ajustes mais ágeis e decisões fundamentadas em dados concretos.
Tendência para 2026: Margem será definida por dados, não por intuição
O mercado de combustíveis está mais sensível a fatores externos do que nunca:
- ICMS
- Entressafra
- Logística regional
- Política de preços
- Oscilações internacionais
Empresas que operam apenas com planilhas ou sistemas desconectados tendem a reagir tarde, mas empresas que utilizam dados integrados conseguem antecipar movimentos e ajustar estratégia com agilidade.
Conclusão
Em um cenário de alta nos combustíveis e volatilidade regional cada vez mais intensa, a vantagem competitiva no setor não está apenas em negociar melhor, mas em controlar melhor. Postos, TRRs e distribuidoras que conseguem integrar compras, estoque, precificação, logística e financeiro em uma visão única têm maior capacidade de proteger suas margens e reagir rapidamente às oscilações do mercado.
Enquanto a gestão fragmentada transforma variações de preço em prejuízo silencioso, a gestão baseada em dados transforma incerteza em estratégia. Em 2026, crescer de forma sustentável no setor de combustíveis significa ter controle, visibilidade e inteligência operacional como pilares da tomada de decisão.
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