Bioinsumos no Brasil: O recorde de registros pelo MAPA e os diferenciais na comercialização
O agronegócio brasileiro passa por uma revolução biotecnológica: bioinsumos compartilham o protagonismo com químicos e redefinem o jeito de produzir e vender defensivos.
- Luana Hoffmann
- 9 minutos
O agronegócio brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas extremamente potente. Se antes a produtividade dependia quase exclusivamente de sínteses químicas, hoje o protagonismo está sendo compartilhado com a vida. Estamos falando da ascensão dos bioinsumos, uma revolução biotecnológica que está redefinindo o jeito de produzir alimentos.
Neste artigo, você vai entender o que são bioinsumos, porque eles estão em destaque no cenário atual do agronegócio e acompanhará uma entrevista exclusiva com um técnico nacional da VIVAbio.
Acompanhe!
O que são Bioinsumos e como são produzidos?
De forma simplificada, bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana, destinados ao uso na produção, na proteção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários, florestais ou aquícolas (Brasil, 2020;2024).
Eles abrangem desde inoculantes e promotores de crescimento até biofertilizantes e agentes de controle biológico, como fungos e bactérias que combatem pragas e doenças. Para saber mais sobre os bioinsumos mais utilizados na agricultura acesse aqui.
A produção desses insumos é um processo de alta precisão e tecnologia. Tudo se inicia com o isolamento de microrganismos específicos e rigorosamente selecionados, multiplicados em ambientes controlados (bioindústrias).
Essa produção exige um Sistema de Garantia da Qualidade rigoroso, onde protocolos de assepsia e controle de pureza são vitais para garantir que o microrganismo chegue vivo e eficiente ao campo.
Importância para o Setor: O Salto de 2025
A importância dos bioinsumos vai além da sustentabilidade ambiental, trata-se de viabilidade econômica e competitividade global. Em um cenário onde o mundo exige alimentos com menor resíduo químico, ter alternativas biológicas a disposição, é uma opção a mais para garantir aumento de produtividade e rentabilidade.
O ano de 2025 consolidou essa crescente com um marco histórico: o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) divulgou o balanço anual do registro de agrotóxicos, publicado no Diário Oficial da União pelo Ato nº 63 da Coordenação-Geral de Agrotóxicos e Afins (CGAA/SDA/Mapa), com um total de 162 registros de produtos classificados como bioinsumos, o maior número já registrado na série histórica. Esse aumento na oferta de produtos regulamentados traz mais segurança jurídica para as revendas e mais opções ao produtor rural.
Foi também em 2025, que se completou 1 ano de sanção da Lei de Bioinsumos (Nº 15.070/24) e 5 anos do Programa Nacional de Bioinsumos (Decreto nº 10.375/2020), que possuem a finalidade de ampliar e fortalecer a utilização no País.
Outro número importante divulgado pelo MAPA, foi o registro de 6 novos produtos técnicos inéditos e 19 produtos formulados à base de ingrediente ativo novo, onde, diferentemente de produtos equivalentes ou genéricos (101 produtos), são moléculas que ampliam os modos de ação disponíveis no mercado, auxiliam no manejo integrado de pragas e doenças, reduzem os índices de resistência e incorporam novas tecnologias no campo, elevando a qualidade dos produtos ofertados.
Visão de quem Produz
Para entender o impacto real desse movimento, conversamos com Douglas Pelegrini Vaz-Tostes, Gerente Técnico Nacional no Grupo GIROAgro, parceiro VIASOFT Agrotitan, que decidiu expandir o portfólio, investindo no mercado de bioinsumos com a VIVAbio. Nosso bate-papo teve o intuito de abordar as perspectivas do mercado e as dificuldades enfrentadas no dia a dia da comercialização.
Para Douglas, que está constantemente no campo, a decisão por investir em biológicos nasceu através da percepção de que o produtor não busca apenas um produto, mas sim soluções que unam produtividade, sustentabilidade e rentabilidade:
“O uso exclusivo de insumos químicos tradicionais já não atendia mais às exigências do mercado, especialmente com as crescentes pressões ambientais, demandas por exportadores e mudanças no perfil dos consumidores. Nesse contexto, a VIVAbio surgiu para oferecer produtos que vão além da sustentabilidade: buscamos entregar tecnologias biológicas que interajam com a planta e o solo, melhorando a eficiência do sistema produtivo. Investimos em pesquisa para desenvolver um portfólio que combina eficácia no campo com viabilidade econômica. A origem desse investimento, portanto, foi a convicção de que o biológico é mais do que uma tendência, é um caminho irreversível para a agricultura moderna.”
Ao conversarmos sobre a principal motivação que tem levado os produtores a buscarem e adotarem produtos de origem biológica, Douglas reforça os três pontos de produtividade, sustentabilidade e rentabilidade, mas também relata que muitos produtores, hoje, enxergam nos biológicos a possibilidade de reduzir a dependência de defensivos tradicionais, além de mitigar problemas recorrentes no campo como a resistência de pragas e doenças e melhorar a saúde do solo, aliado ainda, ao fato de que:
“Produtores que atuam em mercados mais exigentes, como exportação de café, soja ou frutas, percebem que o uso de bioinsumos se tornou quase um “passaporte verde” para acessar novos nichos.”
Resistência de uso
Em um mercado inovador, nem tudo são negócios fechados, há ainda muita resistência na utilização de produtos biológicos. Ao questionar Douglas sobre como a empresa trabalha essa questão, ele nos conta que as objeções não estão relacionadas a eficácia dos produtos em si, mas sim à cultura de adoção e à falta de familiaridade com a tecnologia.
“Alguns produtores ainda têm a percepção de que biológicos são “novidade” ou que seus resultados podem variar. É justamente nesse ponto que atuamos: apresentamos dados consistentes, mostramos resultados em campos lado a lado e acompanhamos de perto a aplicação. Quando o produtor experimenta e vê os resultados de forma prática, essa resistência ‘cai por terra’. Nosso papel é transformar o bioinsumo de “alternativa” em solução indispensável no manejo integrado, aliando a qualidade e as tecnologias exclusivas dos nossos produtos a um pacote completo de soluções.”
Armazenamento e distribuição
A eficácia dos bioinsumos é outro ponto relevante quando debatemos a expansão do mercado. Por ser um produto de origem biológica, a correta manipulação, armazenamento em condições adequadas de temperatura, luminosidade e umidade, além de um preparo correto de calda no momento da aplicação, são indispensáveis para garantir o resultado esperado.
Douglas destaca que na VIVAbio “o processo de produção e controle de qualidade dos produtos garante uma estabilidade e um shelf life de 12 meses sem a necessidade de refrigeração. Característica essa, que traz praticidade ao produtor e aos canais de distribuição”.
Além das inovações empregadas nos produtos, a empresa também destaca o investimento constante em orientação técnica, materiais de suporte e treinamentos, de forma que o produtor esteja amparado e se sinta seguro no momento do uso.
“Essa abordagem gera confiança, porque o cliente percebe que não está adquirindo apenas um insumo, mas sim um conjunto integrado de inovação, suporte e conhecimento aplicado à realidade da lavoura. Além disso, o acompanhamento contínuo possibilita identificar oportunidades e agir de forma rápida e personalizada, fortalecendo a parceria de longo prazo. É dessa forma que transformamos a experiência com nossos produtos em resultados consistentes e em fidelização verdadeira.”
Um olhar no futuro: Inovação e Integração Digital
Para os próximos 5 anos, Douglas destaca que o mercado de bioinsumos no Brasil deverá crescer em pelo menos duas frentes:
Inovação Tecnológica
Destaque para os bioinsumos de nova geração, como consórcios microbianos, elicitores de defesa natural e combinações inteligentes de biológicos com nutrientes.
Integração Digital
Vai permitir recomendações mais precisas, rastreabilidade e mensuração de resultados em tempo real, por meio de agricultura de precisão, sensores e inteligência artificial.
Ao observarmos essas frentes, fica claro que o sucesso dependerá da sinergia entre a produção e a comercialização, e uma gestão focada em extrair o potencial máximo de cada processo, com ferramentas que entendam as especificidades de produção, e a velocidade com que as ações precisam ser tomadas:
“Na prática, as ferramentas de gestão nos ajudam a ter uma visão unificada do relacionamento com cada produtor: histórico de compras, diagnósticos já realizados, visitas técnicas e até mesmo percepções sobre o desempenho em campo. Esse acompanhamento permite que a equipe comercial atue de maneira proativa e personalizada, e não apenas reativa. Em vez de esperar que o produtor tenha um problema ou dúvida, conseguimos antecipar soluções, identificar novas oportunidades e alinhar estratégias técnicas e comerciais. Isso também fortalece a gestão da equipe, pois nos dá métricas claras de performance, facilitando a tomada de decisão e o direcionamento das ações.”
Gestão eficiente com o VIASOFT Agrotitan
A produção e comercialização de bioinsumos trazem complexidades que uma planilha ou sistema generalista não resolve. É aqui que a parceria entre o Grupo GIROAgro e o VIASOFT Agrotitan se fortalece.
Especialista em gestão empresarial para o agronegócio, o VIASOFT Agrotitan atende toda a cadeia: da indústria à revenda e ao campo, sempre atento às mudanças do mercado e às inovações do setor.
A solução oferece histórico detalhado dos clientes, visibilidade total da operação e traduz as melhores práticas de gestão em resultados mensuráveis: mais agilidade, melhor controle e decisões assertivas baseadas em dados reais.
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