Mercado de tintas no Brasil: o que a média de 2025 esconde da sua loja

O setor de tintas passou de 2 bilhões de litros pela primeira vez, com alta de 1,2%. Mas a tinta imobiliária, que é a que passa pelo balcão da loja, cresceu 0,4% e puxou a média para baixo.

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O setor de tintas fechou 2025 com uma marca histórica e um número morno na mesma frase. O mercado de tintas no Brasil passou de 2 bilhões de litros pela primeira vez, com alta de 1,2%. Para a loja de material de construção, porém, o número que importa não é esse: a tinta que passa pelo balcão cresceu bem menos que a média, e entender por quê muda a decisão de compra do ano.

 

Como está o mercado de tintas no Brasil

Em 2025 as vendas de tintas cresceram 1,2% em volume e superaram, pela primeira vez, a barreira de 2 bilhões de litros, segundo a Abrafati. Foram 22 milhões de litros a mais que em 2024. Foi o terceiro ano seguido de crescimento, e o quinto em seis anos.

O número consolidou o Brasil como quarto maior produtor mundial. E veio abaixo das previsões feitas no começo do ano, que apontavam percentual maior.

Os dados estão no balanço divulgado pela Abrafati em 9 de fevereiro de 2026. Vale ler o que ele diz e o que ele não diz: o total é do setor inteiro, e o setor inteiro não passa pela sua loja.

É essa distinção que separa uma leitura útil de uma manchete. Quem vende tinta no varejo não compete no mercado de 2 bilhões de litros; compete numa fatia dele, e essa fatia teve outro ano.

 

A tinta que passa pela loja cresceu 0,4%

A abertura por segmento é onde a conversa fica interessante. As tintas imobiliárias, que são as que chegam ao balcão da loja de material de construção, cresceram apenas 0,4% em 2025. Todos os demais segmentos cresceram 3,0% ou mais.

Segmento Crescimento em 2025 Onde ele é vendido
Tintas imobiliárias 0,4% Loja de material de construção, home center, pintor
Automotivas originais 3,0% ou mais Montadora, acompanhando a produção de veículos
Repintura automotiva 3,0% ou mais Oficina e funilaria
Industriais 3,0% ou mais Indústria, infraestrutura, agronegócio

A Abrafati é explícita sobre o efeito: foram as tintas imobiliárias que puxaram o percentual geral para baixo. Ou seja, o 1,2% do setor não é uma média em que a sua categoria está no meio. Ela está embaixo, e o que segurou o índice foi o que se vende em outro canal.

A associação também explica o que sustentou os demais segmentos: avanço de projetos de infraestrutura, investimento industrial e o momento do agronegócio. Nenhum desses três passa pela porta de uma loja de material de construção.

Para quem monta a compra do ano, a consequência é direta. Usar o número do setor como referência de crescimento significa planejar com um índice que descreve a indústria, não o varejo.

 

O mapa regional: onde o volume está e onde ele caiu

O segundo recorte é geográfico e explica boa parte do resultado fraco. As vendas foram bem em Norte, Centro-Oeste e Nordeste, e mal em Sul e Sudeste. O problema é o peso de cada bloco.

Sul e Sudeste representam praticamente dois terços do volume total vendido no país. Quando essas duas regiões vão mal, o bom desempenho das outras três não compensa, e é exatamente isso que a Abrafati registra ter acontecido em 2025.

Esse detalhe muda a leitura da loja conforme onde ela está. Uma loja no Nordeste que cresceu em tinta no ano passado cresceu num mercado regional favorável, e comparar seu resultado com o índice nacional subestima o próprio desempenho. Uma loja no interior de São Paulo que ficou estável ficou estável num bloco que encolheu, e o mesmo índice nacional a faz parecer pior do que foi.

Índice nacional serve para conversa de mercado. Para avaliar a própria loja, a comparação honesta é com a região e com a categoria. É a mesma disciplina que a leitura dos indicadores operacionais da loja exige: número certo, recorte certo.

 

O que a projeção de 2% para 2026 significa para a loja

Para 2026, a expectativa da Abrafati é de alta em torno de 2,0% no volume vendido, em ritmo semelhante ao do PIB. É quase o dobro do que se viu em 2025, e ainda assim é um número modesto.

Duas leituras práticas saem daí. A primeira é que não há sinal de retomada forte no volume: quem planejar compra grande apostando em recuperação de demanda está apostando contra a projeção da própria indústria.

A segunda é sobre o que o crescimento em volume não diz. Volume é litro vendido, não margem. Um ano de 2% em litros com custo de insumo pressionado pode significar faturamento maior e resultado menor, que é um movimento já conhecido de quem acompanha o setor.

Há também o efeito da base regional. Se o crescimento de 2026 se concentrar de novo fora de Sul e Sudeste, o índice nacional pode fechar em 2% sem que a maior parte das lojas tenha sentido melhora. Quem entrega em mais de uma praça sente isso primeiro na operação de entrega, antes de ver no relatório.

 

A lei do chumbo muda o que a loja vai poder vender

Enquanto o volume anda de lado, a regra do produto mudou. A Lei nº 15.441, publicada no Diário Oficial da União em 29 de junho de 2026, fixou em 90 partes por milhão o limite máximo de chumbo em tintas e em materiais similares de revestimento de superfícies.

A mudança é grande em dois sentidos. O limite anterior, da Lei nº 11.728, de 2008, era de 600 partes por milhão, quase sete vezes maior. E ele valia apenas para tintas imobiliárias, de uso infantil e artístico, enquanto a regra nova alcança as mais variadas aplicações.

A lei tem prazo: entra em vigor doze meses após a publicação, ou seja, em junho de 2027. São duas as exceções admitidas, ambas por motivo técnico reconhecido internacionalmente: tintas marítimas anti-incrustantes e anticorrosivas.

Para a loja, isso é um calendário, não um debate. Produto que não se enquadrar precisa sair do sortimento até lá, e a decisão de compra dos próximos trimestres já convive com esse horizonte. Vale confirmar com cada fornecedor quais itens da linha atual já atendem ao novo limite.

Latas de tinta alinhadas numa prateleira de loja, com a tampa metálica em primeiro plano

 

O que muda no sortimento e na compra da loja

Um ano de 0,4% na categoria não pede corte linear de estoque. Pede leitura mais fina de quais itens de tinta giram e quais estão parados consumindo espaço e capital.

Tinta tem três características que agravam erro de compra. O item ocupa volume grande em prateleira e em depósito. Tem prazo de validade, então giro lento vira perda e não só capital imobilizado. E a variação por cor e acabamento multiplica o número de códigos, o que faz o saldo consolidado esconder itens específicos que não saem há meses.

Na prática, três perguntas resolvem a maior parte da decisão. Quais códigos de tinta giraram abaixo da média da loja nos últimos doze meses. Quanto de capital está parado neles. E se a compra do próximo trimestre está sendo feita pelo histórico do fornecedor ou pelo giro real da sua loja.

Responder isso exige olhar o item, não a categoria. É o que o VIASOFT Construshow para acabamentos, pisos e revestimentos organiza: análise de giro e de curva por item, sugestão de compra a partir do consumo real e controle de estoque por tipo de saldo, que separa o que está disponível do que está reservado ou avariado.

É o mesmo raciocínio que aparece no controle de estoque de produtos com particularidade de medida e na análise de estoque: o consolidado é confortável e o item é que decide.

 

Perguntas frequentes sobre o mercado de tintas

Quanto o mercado de tintas cresceu no Brasil em 2025?

O volume vendido cresceu 1,2% em relação a 2024, chegando a mais de 2 bilhões de litros pela primeira vez, o equivalente a 22 milhões de litros a mais. O dado é da Abrafati, divulgado em fevereiro de 2026, e foi o terceiro ano seguido de crescimento do setor.

Por que a tinta imobiliária cresceu menos que o setor?

Porque os segmentos que puxaram o índice para cima são vendidos em outros canais. Automotivas e industriais cresceram 3,0% ou mais, sustentadas por infraestrutura, investimento industrial e agronegócio. A imobiliária, que passa pela loja de material de construção, cresceu 0,4% e puxou a média para baixo.

Quais regiões venderam mais tinta em 2025?

Norte, Centro-Oeste e Nordeste tiveram bons resultados, enquanto Sul e Sudeste tiveram desempenho fraco. Como essas duas regiões respondem por praticamente dois terços do volume nacional, o resultado ruim delas anulou o bom desempenho das outras três no índice consolidado.

Qual a projeção do setor de tintas para 2026?

A Abrafati espera alta em torno de 2,0% no volume vendido em 2026, em ritmo parecido com o do PIB. É praticamente o dobro do crescimento de 2025, mas continua sendo um número modesto e não indica retomada forte de demanda.

Como usar esses números para planejar a compra da loja?

Compare com a categoria e com a região, não com o índice nacional. O total do setor inclui segmentos que não passam pelo seu balcão, e o resultado regional varia muito. Depois disso, a decisão de compra sai do giro por item da própria loja, não do índice de mercado.

 

O número da manchete e o número da sua loja

Dois bilhões de litros é uma marca histórica de verdade, e o setor tem razão em comemorá-la. Mas ela descreve uma indústria que vende para montadora, para infraestrutura e para o agro, além de vender para o varejo.

A parte que chega ao seu balcão teve 0,4%. E, dependendo de onde a sua loja está, teve menos que isso.

Quando você planejar a compra de tinta do próximo trimestre, o número de referência vai ser o do setor, o da sua região, ou o giro dos seus próprios códigos?

Foto de Eduarda Fortes
Eduarda Fortes
Analista de Marketing do Grupo VIASOFT

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