Saúde mental da liderança: 7 em cada 10 líderes pensam em sair

70% dos líderes brasileiros já pensaram em deixar o cargo por causa do impacto da própria liderança na saúde mental, segundo a pesquisa Conquer In Company de 2026. Veja por que o problema é estrutural, não individual, e como medir a saúde mental da liderança unidade por unidade.

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70% dos líderes brasileiros já pensaram em deixar o cargo por causa do que a função faz com a própria saúde mental, segundo o estudo da Conquer In Company divulgado em junho de 2026, com 750 respondentes entre líderes e profissionais de RH. O dado desmonta a leitura mais comum dentro das empresas, a de que quem não aguenta a liderança não nasceu para ela. Saúde mental da liderança é matéria de gestão, e na maior parte das operações ela não tem indicador nenhum.

 

Saúde mental da liderança: por que 7 em cada 10 líderes pensam em sair

Na pesquisa que a Conquer In Company divulgou em junho de 2026, com 400 líderes e 350 profissionais de RH de diferentes setores e regiões do Brasil, 70% dos líderes já pensaram em deixar a função por causa do impacto dela na própria saúde mental. A pesquisa mede intenção declarada, não pedido de demissão registrado.

A diferença entre as duas coisas importa para quem decide. Intenção declarada é sinal antecedente, aparece meses antes do desligamento e ainda dá tempo de agir. Pedido de demissão é registro posterior, e nele a decisão já foi tomada. Uma empresa que só enxerga a segunda medida descobre o problema da camada de liderança pelo relatório de rotatividade, quando a reposição já é obrigatória.

Também não é recorte de um setor ou de uma região: a mesma pesquisa ouviu líderes de setores e regiões diferentes do país. O que o número descreve é uma condição do cargo, não um perfil de pessoa.

Tratar o número como fragilidade individual é o caminho mais caro. Quando a explicação é a pessoa, a resposta da empresa vira conversa reservada, troca de gestor e, no limite, substituição. Quando a explicação é a estrutura, a resposta é método, e método se instala uma vez para todas as unidades. Operações que dependem de heróis em vez de processo pagam essa conta primeiro na liderança, como já registrou o alerta sobre estruturas que dependem de heróis e não de método.

 

O que é saúde mental da liderança, e por que ela não é o clima do time

Saúde mental da liderança é a condição de quem responde pela unidade: carga de decisão, isolamento no cargo, tempo sem apoio formal e sinais de esgotamento de quem gere a equipe. Clima organizacional é outra coisa: mede como a equipe se sente sob aquele gestor. Uma empresa pode ter clima alto e liderança exausta ao mesmo tempo.

A confusão entre os dois objetos tem consequência prática. A pesquisa de clima pergunta ao liderado o que ele acha do gestor. Ninguém, no mesmo instrumento, pergunta ao gestor como ele está. O resultado é uma unidade que aparece bem no painel até o dia em que o gestor pede para sair, e o painel continua bem, porque nunca mediu aquela pessoa. É o inverso do que a empresa supõe ao contratar pesquisa de clima: ela compra a leitura da equipe e assume ter comprado a leitura da unidade.

O segundo sintoma da confusão aparece no calendário. Clima se mede uma ou duas vezes por ano, com plano de ação por unidade e dono definido. Sobre a liderança, não existe data no calendário: o assunto entra quando alguém adoece ou quando um gestor forte comunica a saída. Rotatividade voluntária tem leitura sazonal conhecida, e este blog já mostrou o que puxa a saída voluntária no início do ano. A camada de liderança não tem nem isso, porque não é lida separadamente da operação.

 

78% assumiram o cargo sem preparo formal: a raiz estrutural do desgaste

O desgaste da liderança tem causa estrutural, e ela não é volume de trabalho. Segundo o estudo da Conquer In Company divulgado em junho de 2026, 78% dos líderes brasileiros assumiram o cargo sem formação ou preparo adequado para a função, aprendendo a liderar na prática, dado também noticiado pelo Correio Braziliense sob a chave do alto preço da liderança.

Na mesma pesquisa da Conquer In Company, de junho de 2026, 58,4% dos profissionais de RH ouvidos classificam o investimento da empresa em capacitação de gestores como inexistente ou muito baixo. A combinação das duas medidas descreve um circuito fechado: promove-se por competência técnica, entrega-se uma equipe e uma meta, não se entrega método, e cobra-se resultado de gestão.

O profissional que era excelente na função anterior passa a improvisar uma função nova em público, diante de subordinados e de pares. Improvisar em público, todos os dias, por anos, é uma descrição razoável de desgaste crônico.

É neste ponto que desenvolvimento de lideranças deixa de ser pauta de treinamento e vira pauta de risco. Formação de líderes só produz efeito verificável quando existe registro de quem concluiu o quê, em qual unidade, e não apenas lista de inscritos. Trilhas de formação de líderes com registro de conclusão por unidade transformam capacitação em dado auditável. Sem esse registro, a empresa não consegue dizer quais unidades são conduzidas por alguém que recebeu preparo e quais seguem no improviso.

 

O que a empresa mede sobre o time e não mede sobre quem lidera

A assimetria é fácil de verificar em qualquer empresa com dezenas de unidades: todo indicador que existe sobre a equipe tem um equivalente possível sobre quem a conduz, e quase nenhum está implantado. A lista abaixo compara os dois lados, com a cadência de leitura e o dono de cada número.

Vale um exemplo de escala. Numa rede com 40 unidades, a empresa roda pesquisa de clima com milhares de pessoas e consegue apontar qual delas está pior. Sobre os 40 gestores que respondem por essas unidades, a mesma empresa costuma ter apenas dois registros: a avaliação de desempenho anual, que mede entrega, e a data de admissão. Nenhum dos dois diz como aquela pessoa está sustentando a função hoje. A pergunta que falta não está em nenhum instrumento: quem perguntou a esse gestor como ele está, e quando foi a última vez? Quem lê isto pode estar dos dois lados dessa pergunta: quem deveria fazê-la e quem nunca ouviu.

O que já se mede sobre o time O equivalente sobre quem lidera Cadência possível Quem lê
Pesquisa de clima por unidade Percepção do próprio gestor sobre carga de gestão e apoio recebido Semestral, no mesmo ciclo do clima RH e diretoria
eNPS da equipe eNPS respondido pela camada de liderança, apurado à parte Trimestral RH
Rotatividade da operação por unidade Rotatividade da camada de liderança por unidade Mensal Diretoria e RH
Absenteísmo do time Afastamentos e férias não gozadas de quem ocupa cargo de gestão Mensal RH
Avaliação de desempenho recebida pelo colaborador Feedback recebido pelo próprio gestor, e há quanto tempo Contínua, com alerta de tempo sem registro Gestor do gestor
Plano de desenvolvimento individual do colaborador PDI do gestor, com formação de liderança registrada Ciclo anual, revisado a cada trimestre RH e gestor do gestor

A coluna que mais explica o problema é a última. Sobre a equipe, existe um dono claro para cada número, normalmente o RH em parceria com o gestor da unidade. Sobre a liderança, a resposta costuma ser o gestor do gestor, que é exatamente a figura sem tempo e sem instrumento. Enquanto o dono do número não estiver nomeado, o indicador não é lido, mesmo quando o dado existe no sistema. Medição de liderança morre menos por falta de dado e mais por falta de destinatário.

Duas pessoas vistas de costas revisando um relatório impresso e um notebook numa sala de reunião pequena e fechada, com um painel de indicadores por unidade exibido numa tela na parede ao fundo, luz natural de janela lateral.

 

Como acompanhar a saúde da liderança em uma operação com dezenas de unidades

Acompanhar a saúde da liderança em uma operação distribuída exige quatro medidas simples, lidas por unidade: quantas pessoas cada líder gere, quantas conversas individuais ele realizou no período, há quanto tempo ele próprio não recebe feedback e qual a rotatividade da camada de liderança naquela filial. Quatro números, uma cadência mensal e um dono nomeado.

Cada uma dessas medidas já existe em algum lugar da empresa, normalmente separada das outras. Carga de gestão sai do organograma. Conversas individuais realizadas saem da agenda do líder, quando há registro. Tempo sem feedback recebido sai do ciclo de desempenho. Rotatividade de liderança sai da folha, mas quase nunca aparece desagregada da rotatividade geral. O trabalho está menos em coletar dado novo e mais em consolidar quatro dados existentes na mesma tela, com o mesmo critério em todos os CNPJs, para que uma unidade possa ser comparada com outra sem ajuste manual.

É essa consolidação que a plataforma de gestão de pessoas VIASOFT Voors organiza: a rotina do líder no dia a dia, com conversas individuais, feedback contínuo e plano de desenvolvimento no mesmo lugar. O VIASOFT Analytics soma a isso indicadores operacionais como turnover e absenteísmo por unidade. O VIASOFT Voors dá cadência e registro à gestão da liderança, e não faz diagnóstico clínico, não substitui saúde ocupacional nem cumpre o papel de um sistema de folha.

 

O que muda na decisão da alta gestão quando o número existe

Com um indicador de saúde da liderança na mesa, três decisões mudam de natureza na diretoria: onde entra investimento em formação de líderes, qual unidade recebe reforço de estrutura antes de perder o gestor e quem já está sendo preparado para assumir. Sem esse indicador, as três decisões viram reação a um pedido de demissão que chegou sem aviso.

A reposição de um líder de unidade não se resolve com um processo seletivo. O substituto precisa aprender a operação local, refazer relação com uma equipe já formada e retomar metas no meio do ciclo, e nesse intervalo a unidade opera com liderança interina ou acumulada. Cada semana nessa condição é uma semana em que ninguém está desenvolvendo as pessoas daquela filial. A pergunta sobre quem assume, quando é feita depois da saída, chega tarde, e este blog já tratou de quem assume a unidade quando um líder sai.

Há ainda a camada regulatória, e ela já está em vigor. A Portaria MTE nº 1.419/2024, texto oficial que segue valendo, incluiu os fatores de risco psicossocial no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais da NR-1, o que obriga a empresa a identificar e registrar esses riscos no PGR. A norma não abre exceção para cargo de chefia. Quem responde pela unidade está dentro do escopo, e o volume de afastamentos por transtornos mentais no país já foi tratado neste blog em o que a fiscalização passou a cobrar sobre risco psicossocial no PGR.

 

Perguntas frequentes sobre saúde mental da liderança

Quantos líderes já pensaram em largar o cargo?

Segundo o estudo da Conquer In Company divulgado em junho de 2026, com 400 líderes e 350 profissionais de RH, 70% dos líderes brasileiros já pensaram em deixar a função por causa do impacto dela na saúde mental. A pesquisa registra intenção declarada, não desligamento efetivado.

O que é burnout de liderança, e é diferente do burnout do time?

Burnout de liderança é o esgotamento de quem responde por uma equipe, e difere do esgotamento do time em uma coisa central: ele vem junto com responsabilidade por outras pessoas. O gestor adoecido continua decidindo escala, avaliação e promoção, o que faz o próprio quadro se propagar para a unidade inteira.

O programa de bem-estar da empresa também vale para os gestores?

Na prática, quase nunca. Programas de bem-estar são desenhados e comunicados para o conjunto dos colaboradores, e o gestor costuma ser tratado como quem divulga o programa, não como quem participa dele. Verificar isso é simples: basta medir a adesão da camada de liderança separadamente da adesão geral.

Como saber se um gestor de unidade está esgotado antes de ele pedir para sair?

Quatro sinais aparecem antes do pedido de demissão e todos são mensuráveis: aumento da carga de gestão sem mudança de estrutura, queda na frequência de conversas individuais com a equipe, tempo longo sem receber feedback do próprio superior e saída de pares de liderança na mesma região. Lidos por unidade e com cadência mensal, eles antecipam o problema.

Treinamento de liderança resolve o esgotamento do gestor?

Sozinho, não. Treinamento resolve o déficit de método, que é real: segundo o estudo da Conquer In Company de junho de 2026, 78% dos líderes assumiram o cargo sem preparo formal. O que o curso não faz é criar cadência de acompanhamento nem indicador sobre quem lidera, e é essa parte que sustenta o efeito depois da formação.

A intenção de deixar o cargo, presente em 70% dos líderes brasileiros ouvidos pela Conquer In Company em junho de 2026, deixa de ser história individual e passa a ser informação sobre a estrutura. A empresa que mede clima, eNPS, rotatividade e absenteísmo do time já provou que sabe operar indicador de pessoas. A lacuna está em um único nível do organograma, e é o nível que decide como todos os outros são tratados. Começar não exige instrumento novo: as quatro medidas sobre quem lidera já existem em algum sistema da casa. Falta escolher a cadência de leitura e nomear quem responde pelo número.

Foto de Bruna Tardetti
Bruna Tardetti
Analista de Marketing do Grupo VIASOFT

A liderança da sua empresa também precisa de indicador

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