Mercado de material de construção 2026: o que a projeção diz à loja
A ABRAMAT cortou a projeção de 2026 de 1,9% para 0,5%. O número mede a indústria, não a sua loja, e serve como teto do mercado e não como previsão de resultado.
- Eduarda Fortes
- 9 minutos
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Em 16 de julho de 2026 a ABRAMAT cortou pela metade e mais um pouco a sua projeção para o ano: de alta de 1,9% para alta de 0,5%. Quem planeja o mercado de material de construção 2026 com esse número na mão precisa saber duas coisas antes de usá-lo. O que exatamente ele mede. E por que ele descreve um teto, não a sua loja.
Como está o mercado de material de construção em 2026?
A ABRAMAT revisou a projeção de crescimento da indústria de materiais de construção de 1,9% para 0,5% em 2026, em release divulgado em 16 de julho de 2026, depois de o primeiro semestre fechar com retração de 3,4% no faturamento deflacionado. A projeção segue em 0,5%.
O número não veio de um mês ruim isolado. No release do Índice ABRAMAT de junho de 2026, o acumulado de 12 meses aparecia em queda de 3,8%. Junho trouxe reação, com alta de 1,9% sobre maio em dados dessazonalizados, mas o semestre já estava formado.
A entidade declarou três razões para a revisão: juros em patamar elevado, alto endividamento das famílias e desempenho abaixo do esperado do Programa Reforma Casa Brasil. Nas palavras de Mauro Franco, presidente executivo da ABRAMAT, a revisão “representa um ajuste às condições observadas no primeiro semestre”.
Em publicação da ABRAMAT de agosto de 2026, a leitura de julho manteve a projeção de 0,5%, com o acumulado do ano em queda de 2,7% e recuo de 1,0% de julho sobre junho no dado dessazonalizado. Ou seja: a estimativa de 0,5% não é um susto de meio de ano que já foi revisto. É a régua que está de pé.
O que a projeção de 0,5% mede, e o que ela não mede
A projeção de 0,5% é do faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção, não do setor de construção e não do varejo. O Índice ABRAMAT é um estudo mensal do faturamento deflacionado dessa indústria, com metodologia da Ecconit. Ele mede a fábrica, não o balcão.
Essa distinção é a parte que mais se perde na conversa de mercado, porque três números diferentes circulam como se fossem o mesmo:
| Indicador | Quem publica | O que mede | Número de 2026 |
|---|---|---|---|
| Índice ABRAMAT | ABRAMAT | Faturamento deflacionado da indústria de materiais | Projeção de 0,5% no ano |
| PIB da construção | CBIC | Valor adicionado da atividade de construção | Projeção de 1,2% no ano |
| PMC, varejo de material de construção | IBGE | Volume e receita nominal vendidos no varejo | Volume de -0,8% e receita de +3,1% no primeiro semestre |
Os três descrevem elos diferentes da mesma cadeia e se movem em ritmos diferentes. A projeção do PIB da construção foi revisada pela CBIC, em 7 de maio de 2026, de 2% para 1,2%, por razões parecidas: incerteza e juros altos.
Nenhum dos três é a venda da sua loja. Eles dizem qual é a maré. O quanto o seu barco anda dentro dela é outra medição, e ela só existe dentro da empresa.
Por que a média do mercado de material de construção em 2026 não é a sua loja
Uma projeção nacional é média, e média esconde dispersão. Pesquisa da ANAMACO divulgada em 3 de setembro de 2026 mostra que, no primeiro semestre, 51% das lojas ficaram estáveis, 29% pioraram e 20% melhoraram. Nenhum desses três grupos viveu o número do mercado.
A dispersão também é geográfica e de porte. Na mesma pesquisa da ANAMACO, o Sul teve 27% das lojas indicando melhora, enquanto no Sudeste 35% perceberam piora. Norte e Nordeste registraram a maior estabilidade, com 61% e 64%. Entre lojas de até quatro funcionários, 66% ficaram estáveis.
Há ainda um detalhe que muda a leitura do próprio faturamento. No varejo de material de construção, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE referente ao primeiro semestre de 2026, a receita nominal cresceu 3,1% enquanto o volume vendido caiu 0,8%. Quem sustentou o faturamento foi o preço, não a demanda.
Para a loja, a consequência prática é direta: faturamento maior no comparativo com o ano passado pode conviver com menos mercadoria saindo pela porta. E menos mercadoria saindo significa giro mais lento nos mesmos códigos, com o mesmo capital parado.

Compra e estoque: o que revisar quando o mercado não puxa
Num ano projetado em 0,5%, a compra deixa de ser reposição automática e passa a ser decisão item a item. Três perguntas resolvem a maior parte dela: esse código gira, esse pedido cabe no caixa, e o prazo de pagar conversa com o prazo de receber.
A primeira pergunta é de curva, não de categoria. O consolidado da loja pode estar estável enquanto uma parte do mix está parada há meses, e é exatamente isso que a média nacional também faz em escala maior. Separar o que gira do que não gira é a mesma disciplina, um nível abaixo.
A segunda é de capital. Estoque parado em ano fraco custa mais caro do que em ano bom, porque a chance de girar antes do próximo ciclo é menor e o custo do dinheiro está alto. Ruptura no item que gira e excesso no item que não gira costumam conviver na mesma loja, e o saldo consolidado esconde as duas coisas.
A terceira é de amarração. Múltiplo de compra e de venda diferentes geram ponta de estoque que ninguém pediu, e mercadoria vendida para entrega futura precisa sair do saldo disponível para não ser vendida duas vezes.
É isso que o VIASOFT Construshow para lojas de materiais para construção organiza: análise de compras por giro e vida útil, com sugestão de compra e alerta de estoque mínimo, múltiplo de compra e de venda, e estoque separado por tipo, que mantém físico, disponível, avarias e entrega futura em saldos distintos, com o reservado amarrado ao cliente. Do lado da leitura, análise de compras e análise de estoque mostram onde o capital está.
Margem e prazo: onde o resultado escapa em ano fraco
Num mercado de 0,5%, o resultado do ano não se perde numa venda ruim. Ele se perde em desconto concedido fora de política e em prazo concedido sem critério, repetidos centenas de vezes ao longo de doze meses. Nenhuma das duas coisas aparece como erro no relatório de vendas.
O desconto some dentro do preço. Quando a tabela de preço admite exceção informal, a exceção vira regra e a margem média cai sem que ninguém tenha decidido reduzi-la. A diferença entre uma loja que desconta com política e uma que desconta por negociação não aparece na venda: aparece no fechamento do mês.
O prazo some dentro do caixa. Vender a prazo em ano fraco é frequentemente necessário, mas prazo concedido sem análise de conceito do cliente transfere para a loja um risco que ela não precificou. E o custo desse risco não entra na conta da venda que o gerou.
No VIASOFT Construshow, as regras de desconto travam a venda que sai da política, e a liberação exige um supervisor, o que transforma exceção em decisão registrada. O crediário é parametrizado por conceito de cliente, e a central de cobranças mantém o que foi concedido sob acompanhamento. O efeito de tudo isso chega ao acompanhamento do fluxo de caixa, que é onde o prazo concedido vira número.
Como planejar 2026 com a projeção do mercado de material de construção na mão
A projeção de 0,5% serve como teto de referência do mercado, não como previsão da sua loja. Crescer acima disso é possível e não vem da maré: vem de mix, de giro e de margem. O papel do número é dizer o quanto não esperar da demanda.
Quatro medidas da própria empresa transformam a projeção em plano. A primeira é a variação de volume, e não só de faturamento, porque com preço subindo o faturamento engana. A segunda é o giro por curva, que mostra se o mix acompanhou a mudança do consumo ou ficou onde estava.
A terceira é a margem depois do desconto realmente concedido, e não a da tabela de preço. E vem o prazo médio de recebimento comparado ao prazo médio de pagamento, que é o número que diz se o crescimento cabe no caixa.
Com esses quatro, a projeção do mercado vira contexto e a decisão volta para dentro da loja. É a mesma lógica dos indicadores no VIASOFT Analytics: o dado de fora explica o ambiente, o dado de dentro explica o resultado.
Perguntas frequentes sobre o mercado de material de construção em 2026
Qual a projeção da ABRAMAT para o mercado de material de construção em 2026?
Alta de 0,5% no faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção. A entidade revisou a estimativa anterior, de 1,9%, em release divulgado em 16 de julho de 2026, depois de o primeiro semestre fechar com retração de 3,4%. A projeção foi mantida na leitura de julho.
O índice da ABRAMAT mede a venda da loja de material de construção?
Não. O Índice ABRAMAT acompanha o faturamento deflacionado da indústria de materiais de construção, ou seja, o que a fábrica vende. O varejo é medido pela Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE, e o valor adicionado da atividade de construção é acompanhado pela CBIC.
Por que a ABRAMAT cortou a projeção de 2026?
A entidade declarou três razões: a manutenção da taxa de juros em patamar elevado, o alto nível de endividamento das famílias e o desempenho abaixo do esperado do Programa Reforma Casa Brasil. Segundo a ABRAMAT, esses fatores seguiram influenciando a indústria ao longo de 2026.
Como o varejo pode faturar mais e vender menos ao mesmo tempo?
Porque receita e volume são medidas diferentes. No primeiro semestre de 2026, a Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE registrou receita nominal 3,1% maior e volume 0,8% menor no varejo de material de construção. Quando o preço sobe mais que a queda de quantidade, o faturamento cresce com menos mercadoria saindo.
O que a loja deve revisar primeiro num ano de mercado parado?
A compra e o estoque, nessa ordem. Giro e curva por item indicam onde o capital está parado, e o saldo separado por tipo evita vender o que está reservado ou avariado. Depois vêm margem e prazo, que é onde o resultado escapa aos poucos ao longo do ano.
A projeção diz a maré, não o barco
Um ano projetado em 0,5% não significa que a sua loja vai crescer 0,5%. Significa que o mercado não vai empurrar, e que a diferença entre um resultado bom e um ruim vai ser produzida dentro da operação.
Metade das lojas ficou estável no primeiro semestre, quase um terço piorou e um quinto melhorou, no mesmo país e no mesmo mercado. A projeção era a mesma para as três.
Se o ano fechar exatamente na projeção, a sua loja vai estar acima ou abaixo dela? E você sabe hoje qual número responderia isso?
Num ano de 0,5%, você sabe quais códigos estão parados?
O VIASOFT Construshow analisa compras por giro e vida útil, sugere pedido, alerta estoque mínimo e trava desconto fora da política. Fale com a nossa equipe.