Mercado de tintas no Brasil: o que a média de 2025 esconde da sua loja
O setor de tintas passou de 2 bilhões de litros pela primeira vez, com alta de 1,2%. Mas a tinta imobiliária, que é a que passa pelo balcão da loja, cresceu 0,4% e puxou a média para baixo.
- Eduarda Fortes
- 9 minutos
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O setor de tintas fechou 2025 com uma marca histórica e um número morno na mesma frase. O mercado de tintas no Brasil passou de 2 bilhões de litros pela primeira vez, com alta de 1,2%. Para a loja de material de construção, porém, o número que importa não é esse: a tinta que passa pelo balcão cresceu bem menos que a média, e entender por quê muda a decisão de compra do ano.
Como está o mercado de tintas no Brasil
Em 2025 as vendas de tintas cresceram 1,2% em volume e superaram, pela primeira vez, a barreira de 2 bilhões de litros, segundo a Abrafati. Foram 22 milhões de litros a mais que em 2024. Foi o terceiro ano seguido de crescimento, e o quinto em seis anos.
O número consolidou o Brasil como quarto maior produtor mundial. E veio abaixo das previsões feitas no começo do ano, que apontavam percentual maior.
Os dados estão no balanço divulgado pela Abrafati em 9 de fevereiro de 2026. Vale ler o que ele diz e o que ele não diz: o total é do setor inteiro, e o setor inteiro não passa pela sua loja.
É essa distinção que separa uma leitura útil de uma manchete. Quem vende tinta no varejo não compete no mercado de 2 bilhões de litros; compete numa fatia dele, e essa fatia teve outro ano.
A tinta que passa pela loja cresceu 0,4%
A abertura por segmento é onde a conversa fica interessante. As tintas imobiliárias, que são as que chegam ao balcão da loja de material de construção, cresceram apenas 0,4% em 2025. Todos os demais segmentos cresceram 3,0% ou mais.
| Segmento | Crescimento em 2025 | Onde ele é vendido |
|---|---|---|
| Tintas imobiliárias | 0,4% | Loja de material de construção, home center, pintor |
| Automotivas originais | 3,0% ou mais | Montadora, acompanhando a produção de veículos |
| Repintura automotiva | 3,0% ou mais | Oficina e funilaria |
| Industriais | 3,0% ou mais | Indústria, infraestrutura, agronegócio |
A Abrafati é explícita sobre o efeito: foram as tintas imobiliárias que puxaram o percentual geral para baixo. Ou seja, o 1,2% do setor não é uma média em que a sua categoria está no meio. Ela está embaixo, e o que segurou o índice foi o que se vende em outro canal.
A associação também explica o que sustentou os demais segmentos: avanço de projetos de infraestrutura, investimento industrial e o momento do agronegócio. Nenhum desses três passa pela porta de uma loja de material de construção.
Para quem monta a compra do ano, a consequência é direta. Usar o número do setor como referência de crescimento significa planejar com um índice que descreve a indústria, não o varejo.
O mapa regional: onde o volume está e onde ele caiu
O segundo recorte é geográfico e explica boa parte do resultado fraco. As vendas foram bem em Norte, Centro-Oeste e Nordeste, e mal em Sul e Sudeste. O problema é o peso de cada bloco.
Sul e Sudeste representam praticamente dois terços do volume total vendido no país. Quando essas duas regiões vão mal, o bom desempenho das outras três não compensa, e é exatamente isso que a Abrafati registra ter acontecido em 2025.
Esse detalhe muda a leitura da loja conforme onde ela está. Uma loja no Nordeste que cresceu em tinta no ano passado cresceu num mercado regional favorável, e comparar seu resultado com o índice nacional subestima o próprio desempenho. Uma loja no interior de São Paulo que ficou estável ficou estável num bloco que encolheu, e o mesmo índice nacional a faz parecer pior do que foi.
Índice nacional serve para conversa de mercado. Para avaliar a própria loja, a comparação honesta é com a região e com a categoria. É a mesma disciplina que a leitura dos indicadores operacionais da loja exige: número certo, recorte certo.
O que a projeção de 2% para 2026 significa para a loja
Para 2026, a expectativa da Abrafati é de alta em torno de 2,0% no volume vendido, em ritmo semelhante ao do PIB. É quase o dobro do que se viu em 2025, e ainda assim é um número modesto.
Duas leituras práticas saem daí. A primeira é que não há sinal de retomada forte no volume: quem planejar compra grande apostando em recuperação de demanda está apostando contra a projeção da própria indústria.
A segunda é sobre o que o crescimento em volume não diz. Volume é litro vendido, não margem. Um ano de 2% em litros com custo de insumo pressionado pode significar faturamento maior e resultado menor, que é um movimento já conhecido de quem acompanha o setor.
Há também o efeito da base regional. Se o crescimento de 2026 se concentrar de novo fora de Sul e Sudeste, o índice nacional pode fechar em 2% sem que a maior parte das lojas tenha sentido melhora. Quem entrega em mais de uma praça sente isso primeiro na operação de entrega, antes de ver no relatório.
A lei do chumbo muda o que a loja vai poder vender
Enquanto o volume anda de lado, a regra do produto mudou. A Lei nº 15.441, publicada no Diário Oficial da União em 29 de junho de 2026, fixou em 90 partes por milhão o limite máximo de chumbo em tintas e em materiais similares de revestimento de superfícies.
A mudança é grande em dois sentidos. O limite anterior, da Lei nº 11.728, de 2008, era de 600 partes por milhão, quase sete vezes maior. E ele valia apenas para tintas imobiliárias, de uso infantil e artístico, enquanto a regra nova alcança as mais variadas aplicações.
A lei tem prazo: entra em vigor doze meses após a publicação, ou seja, em junho de 2027. São duas as exceções admitidas, ambas por motivo técnico reconhecido internacionalmente: tintas marítimas anti-incrustantes e anticorrosivas.
Para a loja, isso é um calendário, não um debate. Produto que não se enquadrar precisa sair do sortimento até lá, e a decisão de compra dos próximos trimestres já convive com esse horizonte. Vale confirmar com cada fornecedor quais itens da linha atual já atendem ao novo limite.

O que muda no sortimento e na compra da loja
Um ano de 0,4% na categoria não pede corte linear de estoque. Pede leitura mais fina de quais itens de tinta giram e quais estão parados consumindo espaço e capital.
Tinta tem três características que agravam erro de compra. O item ocupa volume grande em prateleira e em depósito. Tem prazo de validade, então giro lento vira perda e não só capital imobilizado. E a variação por cor e acabamento multiplica o número de códigos, o que faz o saldo consolidado esconder itens específicos que não saem há meses.
Na prática, três perguntas resolvem a maior parte da decisão. Quais códigos de tinta giraram abaixo da média da loja nos últimos doze meses. Quanto de capital está parado neles. E se a compra do próximo trimestre está sendo feita pelo histórico do fornecedor ou pelo giro real da sua loja.
Responder isso exige olhar o item, não a categoria. É o que o VIASOFT Construshow para acabamentos, pisos e revestimentos organiza: análise de giro e de curva por item, sugestão de compra a partir do consumo real e controle de estoque por tipo de saldo, que separa o que está disponível do que está reservado ou avariado.
É o mesmo raciocínio que aparece no controle de estoque de produtos com particularidade de medida e na análise de estoque: o consolidado é confortável e o item é que decide.
Perguntas frequentes sobre o mercado de tintas
Quanto o mercado de tintas cresceu no Brasil em 2025?
O volume vendido cresceu 1,2% em relação a 2024, chegando a mais de 2 bilhões de litros pela primeira vez, o equivalente a 22 milhões de litros a mais. O dado é da Abrafati, divulgado em fevereiro de 2026, e foi o terceiro ano seguido de crescimento do setor.
Por que a tinta imobiliária cresceu menos que o setor?
Porque os segmentos que puxaram o índice para cima são vendidos em outros canais. Automotivas e industriais cresceram 3,0% ou mais, sustentadas por infraestrutura, investimento industrial e agronegócio. A imobiliária, que passa pela loja de material de construção, cresceu 0,4% e puxou a média para baixo.
Quais regiões venderam mais tinta em 2025?
Norte, Centro-Oeste e Nordeste tiveram bons resultados, enquanto Sul e Sudeste tiveram desempenho fraco. Como essas duas regiões respondem por praticamente dois terços do volume nacional, o resultado ruim delas anulou o bom desempenho das outras três no índice consolidado.
Qual a projeção do setor de tintas para 2026?
A Abrafati espera alta em torno de 2,0% no volume vendido em 2026, em ritmo parecido com o do PIB. É praticamente o dobro do crescimento de 2025, mas continua sendo um número modesto e não indica retomada forte de demanda.
Como usar esses números para planejar a compra da loja?
Compare com a categoria e com a região, não com o índice nacional. O total do setor inclui segmentos que não passam pelo seu balcão, e o resultado regional varia muito. Depois disso, a decisão de compra sai do giro por item da própria loja, não do índice de mercado.
O número da manchete e o número da sua loja
Dois bilhões de litros é uma marca histórica de verdade, e o setor tem razão em comemorá-la. Mas ela descreve uma indústria que vende para montadora, para infraestrutura e para o agro, além de vender para o varejo.
A parte que chega ao seu balcão teve 0,4%. E, dependendo de onde a sua loja está, teve menos que isso.
Quando você planejar a compra de tinta do próximo trimestre, o número de referência vai ser o do setor, o da sua região, ou o giro dos seus próprios códigos?
Você sabe quais códigos de tinta estão parados na sua loja?
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