Mudar ou morrer

O mercado de trabalho pulou uma geração de adultos e é preciso conviver com isso, você precisa mudar.

“Nós somos do século 20 e temos que viver no século 21. Não nos explicaram no século 20 como seria o 21, e ele não é a repetição da vida dos pais e dos nossos avós.” Partindo dessa ideia que o doutor em Comunicação Dado Schneider falou ao público do VI Congresso Andav, realizado no mês de agosto. Para ele, é preciso ultrapassar as barreiras que o século 21 impôs aos adultos ou você não sobreviverá profissionalmente.

“A nossa fase adulta no século 21 é completamente diferente dos adultos do século 20. Então, costumo dizer que nós somos adultos inéditos. Nós vamos ter que aprender a viver, vamos ter que nos reciclar, nos atualizar como nenhum outro adulto na história teve que se atualizar”, diz. Mas, por que mudar? Porque, conforme Schneider, não tem outra forma de conseguir levar aceitação social e espaço profissional sem mudar a maneira de pensar e agir.

O comunicador diz que a grande dificuldade desta adaptação está em ser um adulto que pensa ter chegado em sua maturidade profissional, mas isso ser ilusório porque os tempos são outros. “As pessoas entre 35 e 50 anos podem pensar: ‘Agora chegou a minha vez’. Só que não, não chegou mais, a vez dele já passou. Quem teve a vez nessa idade foi o seu antepassado, e agora é a vez dos mais jovens. Eu costumo dizer que, quando eu era criança, o melhor bife da mesa ficava para os adultos, agora que sou adulto o melhor bife da mesa fica para as crianças. O mundo mudou bem na minha vez”, explica.

Depois que a pessoa aceita isso, ele acredita que ela passa a entender como conviver bem com os mais jovens e ter uma vida normal no século 21, “só que a maioria das pessoas de mais de 35, 40 anos, está incomodada com a vida que está levando porque ainda não entendeu o século 21, está querendo viver no século 20”.

Segundo ele, as tecnologias são cruciais, sim, mas mais importante ainda é entender os comportamentos. “Não adianta somente dominar as tecnologias. Aliás, se não dominar as tecnologias a pessoa está morta profissionalmente. É inaceitável que com todo esse ferramental disponível alguém ainda utilize técnicas e métodos do século 20, do 18, da época da revolução industrial”, fala.

E é justamente pela tecnologia ser necessária, imprescindível, que é importante conviver com gente mais nova, e sempre aberto ao que eles têm a dizer. “Não que eles mandem na gente, mas eles tem muita coisa a nos ensinar. Eu prego o seguinte: não é que se diz, é como se diz. Precisamos criar vínculos, não nos afastarmos”, finaliza.

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